Afinal de Contas

por Marcelo Soares

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Marcelo Soares escreve sobre dados e o que eles podem revelar

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O Ministério da Saúde adverte: mulheres comem melhor

Por Marcelo Soares

O Ministério da Saúde publicou hoje o estudo Vigitel 2011. Trata-se de uma pesquisa anual feita pelo ministério, ligando para as casas de uma amostra de brasileiros e fazendo perguntas sobre seus hábitos em relação à saúde. Está obeso? Fuma? Abusa da bebida? Tem o hábito de comer carnes gordas?

A conclusão mais chamativa, que ganhou todos os portais no Brasil, é: quase metade dos brasileiros está acima do peso. Mas ele revela bem mais coisas. 

Sempre vale a pena olhar as tabelas inteiras. O Vigitel tem sete. A maior parte dificilmente será noticiada, mas vale a pena olhar. Como tantos órgãos públicos, o Ministério da Saúde publica dados em formato PDF, o que é terrível para quem quer fazer comparações. Converti tudo para uma planilha que você pode baixar aqui, baixar em seu computador e fazer suas comparações.

O mais interessante é cruzar duas planilhas diferentes. Por exemplo: consumo de carnes gordas e consumo de frutas e verduras.

Fiz uma conta simples: a proporção de gente que consome frutas é maior do que a de gente que come carne gorda regularmente?

Na maior parte dos casos, não. Exceto em seis capitais:

Curitiba
Florianópolis
João Pessoa
Natal
Porto Alegre
Vitória

Em todas as capitais, a proporção de homens que consomem carne gorda regularmente é maior do que a de homens que consomem frutas e legumes regularmente. Sempre. Já as mulheres são BEM mais saudáveis. Em quase todas capitais mais mulheres comem frutas e legumes regularmente do que carne gorda, exceto nestas:

Campo Grande
Cuiabá
Macapá
Porto Velho
Rio Branco

De qualquer maneira, as tabelas mostram que as mulheres comem melhor do que os homens. Isso se reflete na estatística de que em todas as capitais, menos São Luís, a proporção de mulheres acima do peso é menor do que a de homens acima do peso. E, nos dois hábitos mais venenosos – abuso de álcool e fumo – a proporção de homens é sempre maior. Isso é bem preocupante.

Pense nisso na próxima vez em que for ao rodízio.

 

Questões metodológicas

Meu único senão ao estudo: ele não informa a margem de erro, o que é importante saber em qualquer pesquisa que lide com amostragem. Essa pesquisa foi feita como muitas pesquisas de intenção de voto, selecionando uma amostra de cidadãos e lhes aplicando um questionário.

Em pesquisas eleitorais, a boa prática é manter uma margem de erro de 2 ou 3 pontos percentuais. Isso vai depender do tamanho da amostra selecionada. Como foram entrevistadas 54.144 pessoas neste ano, é possível que a margem de erro não seja muito alta. Sendo de 3 pontos percentuais, os 48,5% de gordinhos seriam na verdade algo entre  45,5% e 51,5% dos brasileiros.

(Mas é um pouco de preciosismo, enfim. Não há risco de os magros processarem o Ministério da Saúde por aparecerem sub-representados na pesquisa.)

Outro risco, como a pesquisa foi feita por telefone, é o entrevistado “subfaturar” seu peso e “superfaturar” o seu consumo de frutas e verduras ou a frequência com que faz mamografia. Mas é do jogo.

Dado o tamanho do país e o custo de encontrar e pesar tantos cidadãos, fazer isso por meio de uma pesquisa de opinião é uma saída bastante inteligente.

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