Afinal de Contas

por Marcelo Soares

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Marcelo Soares escreve sobre dados e o que eles podem revelar

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Juro, o imposto sobre o medo, tem sua maior baixa

Por Marcelo Soares

O Copom anunciou hoje a redução da taxa básica de juros, a Selic, para 8,5% ao ano. É a menor taxa da história da Selic, criada em março de 1999. A partir desta reunião, o Banco Central será obrigado a tornar público o conteúdo do voto de cada diretor.

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Juros são uma espécie de “imposto sobre o medo”. Quanto mais medo o mercado tem de não ser pago, maior o juro. Quanto mais medo o mercado tem que os investimentos fujam, maior o juro. Quanto mais medo o banco tem que o cliente dê calote, maior o juro para ele.

Sim, o juro varia de acordo com o perfil do cliente. Alguém que não acompanha o noticiário econômico pode ler isto e perguntar por que raios o juro do seu cartão de crédito é de mais de 10% ao mês. Ainda na semana passada, o BC informou que a taxa média de juros ao consumidor era de 40% ao ano.

Isso se deve ao spread bancário, que é a diferença entre o que o banco paga pelo dinheiro e o que ele cobra dos clientes. Mais de um terço desse custo é atribuído à inadimplência. O infográfico abaixo é de 2009, mas é bastante didático:

Observe como as mais altas corcovas da escalada dos juros estão em 1999, quando o Brasil desvalorizou o real, e em 2002, quando houve a eleição presidencial em que Regina Duarte foi à TV afirmando ter medo. Depois tem outra corcova em 2005, época do mensalão, e outra em 2008, quando estourou a crise mundial.

Clique nesse gráfico aí em cima para ver o gráfico interativo com todo o histórico da Selic, mais a planilha completa com os dados.

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