Diário oficial e as bicicletas: sem noção

Está fazendo sucesso no Twitter, hoje, uma manchete do Diário Oficial de São Paulo: “Mais ciclistas, mais acidentes”. Não acredita? Veja neste link.

Ela se baseia em estatísticas oficiais; conforme foi aumentando o número de ciclistas de São Paulo, aumentou o número de acidentes. Um perigo para os ciclistas, já que – diz o argumento – “São Paulo não está preparada para a bicicleta”. Segundo eles,

“A Secretaria de Estado da Saúde informa que, no ano passado, 3,4 mil pessoas foram internadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) paulista, gerando custo de R$ 3,25 milhões à administração estadual.”

Ali não fala quanto o SUS paulista gasta atendendo internados por outros tipos de acidente, mas eu não pararia por aí. Sou pedestre, e sei o quanto é perigoso andar a pé em São Paulo. São Paulo não está preparada para o pedestre. Mais pedestres, mais acidentes.

Sério? Sim. Mais pessoas, mais mortos, sempre. Em números absolutos, pelo menos. Mas e os relativos? Ficaram faltando.

Isso é o mau uso dos números para apoiar um argumento ruim. É mais ou menos o mesmo que dizer “mais usuários de água, mais pacientes de câncer”. É verdade? É. Mas o problema é a água? Não. Assim como o problema não é a bicicleta.

Sim, ciclistas se acidentam. Pedestres se acidentam. Mas todos têm direito à rua, independente de como queiram se movimentar.

O Código de Trânsito disciplina o acesso à rua para todas as modalidades de transporte. Segundo a lei, quem usa veículos mais pesados, portanto mais perigosos e que podem causar maiores danos, precisa ficar atento para não acidentar quem está em veículos mais frágeis. A responsabilidade do Estado é procurar garantir essa civilidade no trânsito.

Não é desincentivando o uso da bicicleta ou das pernas que isso vai acontecer. Muito antes pelo contrário.

EDITADO: o leitor João Lacerda trouxe a referência de dois estudos que ajudam a dar uma medida comparativa das proporções dos acidentes.

Em janeiro de 2011, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou pesquisa sobre a percepção da mobilidade urbana. Baixe a íntegra aqui. Segundo ela, os brasileiros usam os seguintes modos de transporte para se deslocar:

Transporte público: 44,3%
Carro: 23,8%
Moto: 12,6%
A pé: 12,3%
Bicicleta: 7%

Em 2009, a Confederação Nacional dos Municípios fez um mapeamento das mortes no trânsito. Baixe a íntegra aqui. Os dados mais recentes que o estudo usa são de 2007. Na época, a distribuição dos acidentes era esta:

Acidentes com ocupantes de veículos – 48%
Atropelamentos de pedestres – 26%
Acidentes com motociclistas – 22%
Acidentes com ciclistas – 4%

Não dá para fazer uma comparação muito precisa porque são números apurados de maneiras diferentes em anos diferentes. Numa comparação grosseira, porém, temos:

Bicicletas carregam 7% das pessoas e sofrem 4% dos acidentes
São pedestres  12,3% das pessoas, que sofrem 26% dos acidentes
Usam veículos (transporte público e carro) 68,1% das pessoas, que sofrem 48% dos acidentes
Andam de moto 12,3% das pessoas, que sofrem 22% dos acidentes

Andar a pé e de moto é mais perigoso do que andar de bicicleta, pelo jeito.  Mais pedestres, mais acidentes. Mais motociclistas, mais acidentes.

Menos política pública, mais títulos sem noção no Diário Oficial.

About Marcelo Soares

Marcelo Soares é jornalista, fascinado por dados e pelo que eles dizem sobre nós
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  2. Carol Guilen comentou em 12/07/12 at 10:09 Responder

    Excelente artigo, Marcelo, parabens!

    • Marcelo Soares comentou em 12/07/12 at 10:14 Responder

      Grato, Carol.

      • Eduardo comentou em 14/07/12 at 10:58 Responder

        Essa nota desaconselhando o uso de bicicleta em algumas vias públicas de São Paulo é uma das coisas mais sensatas que vi ultimamente. São Paulo não foi feita para bicicletas. A própria topologia da cidade mostra isso. Alguns idealistas, ou aproveitadores, ou inconsequentes incentivam o uso da bicicletas expondo a vida de ciclistas. Estes, por sua vez, acuados invadem as calçadas oprimindo os pedestres. Pensar que São Paulo tenha algo parecido, ou possa vir a ter algo parecido, com Amsterdan ou Estocolmo é algo que varia de inocência até burrice.

        • Marcelo Soares comentou em 14/07/12 at 17:36 Responder

          São Paulo também não é uma cidade apropriada a pedestres. Acho razoável deixarmos de andar por aí na rua desprotegidos por um carro, sob pena de morrermos atropelados e ninguém poder dizer que não avisou.

          • Eduardo comentou em 15/07/12 at 05:28

            Menos, Marcelo, menos. Não é para tanto. Há calçadas, faixa de pedestres, semáforos de pedestres, calçadões. O planejamento da cidade, bom ou mau, levou em conta o pedestre. O que não foi o caso para com os ciclistas. INFELIZMENTE. Se a partir de hoje, um planejamento para bicicleta for iniciado, talvez em 100 anos, os ciclistas terão seu espaço, sem loucuras e sem necessidade de ficarem andando em calçadas (esse sim, mais risco desnecessário ao pedestre). Até lá, entrar em um Marginal, Av. Paulista, Av. Bandeirantes, Av. Sto. Amaro é obra de quem quer se expor ao perigo.

          • Marcelo Soares comentou em 15/07/12 at 11:06

            O sinal para pedestre abre no meio da travessia na maior parte das avenidas. Tem 15 segundos para atravessar, dos quais 5 costumavam estar vermelho piscando (recentemente a prefeitura teve a grande ideia de inverter – deixar cinco segundos só de verde). Desconte uns três segundos do verde do pedestre para dar passagem àqueles motoristas que, coitados, SEMPRE precisam tirar o pai da forca e temos aí uma situação bem inóspita. Passo por ela todos os dias.

  3. mario comentou em 12/07/12 at 08:32 Responder

    Apesar de ser um fã da bicicleta, tenho de admitir que:

    Bicicleta NÃO É veiculo motorizado (usa tração animal-humana)!!! NÃO PODE (apesar da lei cega dizer que sim) ANDAR NA PISTA E MUITO MENOS NA MÃO (não enxerga nada do que vem pelas costas) pois delega sua segurança a terceiros!!!

    Bicicleta não tem estabilidade lateral!

    Bicicleta tomba se cair no bueiro ou outras crateras!

    Bicicleta tem de desviar cacos de vidro, pedras e buracos!

    Bicicleta não tem luz de freio nem pisca de conversão!

    Bicicleta não tem torque para uma arrancada para sair de uma situação difícil!!!

    Bicicleta quando freia e para obriga o ciclista a por os pés no chão!!!

    Bicicleta é igual a uma pessoa correndo!!!

    Se for uma pessoa correndo entre os carros, imagine o risco!!!

    Bicicleta tem de andar na ciclovia (se houver) ou na calçada (pois é um pedestre e não um veículo motorizado).

    Em última e absurda hipótese, Bicicleta SE for andar na pista de veículos automotivos, tem de ANDAR NA CONTRA MÃO para poder controlar se os carros vem para cima dela ou não (auto-defesa básica)!!!!

    Bicicleta: uma ótima idéia!!!! Mas com inteligência!!!! O Bom senso ainda deve imperar!

    • Marcelo Soares comentou em 12/07/12 at 09:32 Responder

      Sim, bicicleta e pedestre são mais frágeis do que o carro. Por isso é que o motorista precisa ter responsabilidade.

      Agora, quanto ao sentido e local onde deve andar a bicicleta, você estudou o código de trânsito antes de tirar a habilitação de motorista? Está lá que bicicleta não pode andar na contramão e nem na calçada:

      Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

      Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.

      Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.

      • mario comentou em 12/07/12 at 10:01 Responder

        Concordo. Está na lei. Mas nem por isso a lei é correta e protege o cidadão.

        A lei considera a bicicleta como se fosse um veiculo em iguais condições que carros, onibus, caminhões, etc… Isso evidentemente só pode passar pela cabeça de burocratas!

        Basta sair andar por aí de bicicleta para ver que evidentemente é muito mais seguro andar na contra mão (vendo o que os outros veículos estão fazendo e como estão se comportando) do que se expor ao risco cego (como o mito da avestruz que enfia a cabeça no buraco para não ver o que vem por aí) de quem vem por detrás.

        Ao não sabermos o quem atrás do ciclista, não se sabe a qual distância o veículo vai se aproximar, a qual velocidade, em qual estado de atenção está o motorista, ouvindo musica, conversando com alguém… e por aí vai.

        É como andar no meio dos carros (bicicletas são iguais a pessoas correndo) e atribuir a responsabilidade da sua segurança aos motoristas dos mesmos.

        Meio sem sentido, não acha? Está na lei, mas a lei é cega e burra. É feita por homens e por isso existem juizes, para “humanizar” e relativizar a lei incompleta e incorreeta. Até que a mesma seja atualizada e corrigida quando não atinge sua finalidade que é proteger o cidadão.

        • Marcelo Soares comentou em 12/07/12 at 10:14 Responder

          A lei não considera a bicicleta como um veículo em iguais condições. Você realmente leu o Código de Trânsito antes de tirar a habilitação?

          (Mas sim, a segurança do pedestre TAMBÉM é responsabilidade do motorista. O carro tem um potencial imenso para ferir e matar. Já dizia o tio do Homem-Aranha: com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.)

          • mario comentou em 12/07/12 at 10:56

            Nas letras NÃO está na lei que a “bicicleta é um veículo em iguais condições aos demais que transitam por uma via publica”.

            Mas ao colocar que a bicicleta deve transitar, na ausência de ciclovia ou recurso semelhante, pela pista de rolamento no sentido do tráfego, equipara ipso facto a mesma a um veiculo como os demais.

            É o mesmo que dizer que um pedestre deve andar na pista de rolamento, rente ao meio fio, no sentido do tráfego se não houver calçada! Alguém está disposto a fazer isso sem olhar para trás? Andar às cegas, sem saber que tipo de veículo vem vindo?

            Pedestres cautelosos andarão verificando frequentemente o que vem atrás, olhando para trás! Mas como um ciclista faria isso sem se desequilibrar ou se desviar???

            Vale o convite: experimentar andar “não mão” sem saber o que vem por trás de si, e depois experimentar andar na “contra-mão” e ter um controle muito maior sobre o que fazer, para onde ir, ou fugir, ou escapar.

            É provável que a grande maioria dos ciclistas fique assustada, senão terrificada, com o número de carros que “tiram finas”ou desviam no ultimo momento de suas bicicletas.

            É mais facil culpar aquele motorista de caminhão idiota que passou a um metro da minha bicicleta e quase me fez cair com o deslocamento de ar, do que assumir que eu vi que o mesmo vinha vindo na minha direção e não fui para a calçada, ou parei a bicicleta!

            É necessário que condições de segurança maior, como pedestres (ou ciclistas) andando pela contra-mão na falta de opção mais segura não sejam consideradas ilegais.

            Evidente que a segurança de qualquer transeunte é também responsabilidade do motorista. Mas daí a dizer que pessoas correndo junto ao meio fio (ou cicliestas) é legal, pode ser uma legalidade responsável por muitas e muitas mortes desnecessárias.

            Afinal, se o ciclista se desequilibra por desviar de um bueiro quebrado, ou de um caco de vidro, e é atropelado e morto por um carro que vinha atrás de si, o motorista é culpado? Se um transeunte cai na rua e é atropelado, a culpa é do motorista?

            Talvez, e friso, TALVEZ, a saida seja responsabilizar o estado por não prover condiçoes adequadas de segurança aos seus cidadãos em movimento.

            Mas daí, só se for na Ilha de Utopia!!!

            Enquanto isso não acontece, o bom senso diz que é mais seguro andar ou pedalar sabendo os riscos que vem pela frente. E não sem saber o que vem por detrás.

          • Marcelo Soares comentou em 12/07/12 at 11:07

            Exato, a responsabilidade pela disciplina do trânsito é do Estado. Que não a cumpre.

            (Aliás, o Código de Trânsito determina que motoristas mantenham 1,5m de distância lateral em relação a ciclistas. Tirar “finas” é ilegal, embora o Estado pouco fiscalize. Recomendo a qualquer motorista a leitura do Código de Trânsito, que deveria ser obrigatória para tirar habilitação.)

          • mario comentou em 12/07/12 at 11:19

            Veleria ainda um exemplo ligeiro:

            Uma pessoa anda a uma velocidade de 3 a 5 km/h. Uma bicicleta, no plano e em bom terreno, de 15 a 20 km/h.

            Em uma via pública limitada a 40 km/h, a velocidade de um veículo motorizado é aproximadamente o dobro da bicicleta. Numa via de 60 km/h, o triplo, e em uma via rápida, 80 km/h, 4 a 6 vezes maior.

            O tempo de resposta de um motorista perante uma adversidade é mais ou menos contante, dado que o mesmo esteja em boas condiçoes de saúde, acordado, sem sono e em vigília, não tenha bebido, não esteja distraído, etc.

            Se na frente de um motorista um ciclista se desequilibra, sem saber que vinha um onibus, um caminhão, ou um carro qualquer atras de si, as chances de o mesmo ser atingido aumentam de acordo com a diferença de velocidade de cada um.

            Novamente: por mais rápidos que possam ser, bicicletas, patins, skates, patinetes, não são veículos. São pessoas correndo!!!!

          • mario comentou em 12/07/12 at 11:24

            Ahhh .. Interessante.. 1,5 m de distância lateral???? E como o veiculo mais largo fará??? Entrará na pista do lado??? Subirá no meio fio? Reduzirá sua velocidade à do ciclista para não invadir a faixa lateral? (de 60 km/h para 15 km/h até ultrapassar o ciclista, ou haver espaço?) Buzinará para esse energúmeno sair da frente logo???

            Novamente ve-se que é uma lei feita na escrivaninha por burocratas. Sem aplicabilidade prática. Situações teóricas imaginadas por quem não vive a situação na pratica.

          • Marcelo Soares comentou em 12/07/12 at 11:50

            Enfim: é a lei. Recomendo a leitura. Quem dirige tem a obrigação de conhecê-la.

          • Ricardo Joao comentou em 11/08/12 at 20:16

            Mario, respondendo sua pergunta:
            “Ahhh .. Interessante.. 1,5 m de distância lateral???? E como o veiculo mais largo fará??? Entrará na pista do lado??? Subirá no meio fio? Reduzirá sua velocidade à do ciclista para não invadir a faixa lateral? (de 60 km/h para 15 km/h até ultrapassar o ciclista, ou haver espaço?) Buzinará para esse energúmeno sair da frente logo???””

            Exatamente, como a bicicleta tem preferência sobre o carro, você deve reduzir a velociade para não atropelar o ciclista até esperar uma oportunidade, e então ultrapassar pela outra faixa.

            Não buzine. Ter um carro não significa que você pode usá-lo para ameaçar outras pessoas.

            Aos que estão lendo: sempre duvidem quando alguém diz “sou fã de bike, MAS…”.

            Geralmente acaba sendo um imbecil que acha que uma pessoa de bike de desloca tão rápido quanto alguém correndo.

      • Camila comentou em 12/07/12 at 15:19 Responder

        Fisica Basica: se a bicicleta estiver na contra mao, em caso de colisao, as velocidades dos dois veiculos se somarão, ou seja, risco absoluto pro ciclista.

        Se o ciclista estiver na mão do transito, ele esta muito, mas muito mais seguro.

  4. carlosrm comentou em 11/07/12 at 21:11 Responder

    Parabéns pelo texto.
    Infelizmente o governo incentiva a compra de carros para que todos possam brincar de trenzinho nos engarrafamentos.

  5. Pedro Simões comentou em 11/07/12 at 21:03 Responder

    Kra vc entendeu completamente errado. Em nenhum momento falou ali que a culpa é dos ciclistas, alias, falaram exatamente o q vc quis dizer: “Os casos aumentam porque há mais gente pedalando e, consequentemente, mais ocorrências”, ele culpa quem vc culpou: “os acidentes ocorrem por causa da
    pouca estrutura na cidade de São Paulo para utilização da bicicleta como alternativa de transporte.” Viajou!

  6. Gabriel comentou em 11/07/12 at 20:49 Responder

    Marcelo, aconselho aos navegantes que gostariam de se informar sobre transporte de primeiro mundo (bicicleta, isso mesmo!!) – vejam este vídeo que conta a história de uma rua na Holanda – é fantástico!!!

    http://www.youtube.com/watch?v=aK-ESyajHLY&list=UU67YlPrRvsO117gFDM7UePg&index=7&feature=plcp

  7. Arie Storch comentou em 11/07/12 at 20:01 Responder

    Estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem, já dizia o poeta.

  8. João Lacerda comentou em 11/07/12 at 20:00 Responder

    Marcelo, apresento-lhe os números… Não são perfeitos, mas são os melhores que temos!

    Ciclistas são 7% dos deslocamentos e 4% dos “acidentes”
    Carros 24% dos deslocamentos e 27% dos “acidentes”
    Motos 12,6% dos deslocamentos e 22% dos “acidentes”.
    Fonte – cruzamento de dados das seguintes pesquisas:
    Pesquisa IPEA –Mobilidade Urbana 2011
    Mapeamento das Mortes por Acidentes de Trânsito no Brasil – Confederação Nacional de Municipios 2009

    http://transporteativo.org.br/wp/2012/06/29/etica-das-ruas/

    • Marcelo Soares comentou em 11/07/12 at 20:09 Responder

      Boa. Editei o post com um agradecimento e os links para os dois estudos que geraram essa comparação. É uma comparação grosseira, mas dá a medida do que ocorre.

  9. Clarissa Beretz comentou em 11/07/12 at 19:17 Responder

    Inaceitável, revoltante, um retrocesso. Enquanto Kassab não entregou nem um décimo dos 100km de ciclovia que prometeu em campanha (a 6 meses de acabar o mandato), tivemos de aguentar os dois de capacetinho com as promessas de “transporte alternativo”.
    Relembrem:
    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4292028-EI8139,00-Serra+e+Kassab+inauguram+ciclovia+pedalando+em+SP.html .

    Podem aguardar manifestação, não podemos ser coniventes com esse retrocesso, pensamento ridículo! E quanto gasta o governo com o acidente de carros, o atropelamento de pedestres, a poluição que mata MILHARES de crianças diariamente?? Aproveito para indicar o EXCELENTE vídeo que mostra como os holandeses conquistaram a democrática e imensa malha cicloviária, um tapa na cara do pensamento mesquinho e atrasado, refém da ditadura do carro: http://www.youtube.com/watch?v=XuBdf9jYj7o

    • Marcelo Soares comentou em 11/07/12 at 19:59 Responder

      Sim, na Holanda (e Suécia, e Dinamarca, e Noruega, e outros) é mais civilizado não por causa dos olhos claros dos habitantes, mas porque teve um longo processo de política pública que levou a isso. Geralmente, quando se menciona os casos desses países o pessoal diz “ah, mas isso é lá” e fica por isso mesmo. Só que é lá porque teve política pública, enquanto aqui não tem.

  10. alvaro santi comentou em 11/07/12 at 18:55 Responder

    não acreditei e fui conferir a página do diário oficial… tão sem noção que tiraram do ar.

  11. Anton Martin comentou em 11/07/12 at 18:51 Responder

    É a primeira coisa sensata que eu vejo publicarem sobre o incentivo indiscriminado e irresponsável ao uso de bicicletas. Ela são passam de veículos frágeis, inseguros, arcaicos e na grande maioria das vezes, individuais, que não resolvem o problema de transporte coletivo e não desafogam o trânsito, pois competem de forma desnecessária com outros veículos, no trânsito já conturbado da metrópole. Parabéns a quem teve coragem de publicar tal matéria e ir na contramão dessa campanha demagoga para fazer de São Paulo uma cidade caótica como as da China pré-globalizada. São Paulo não possui espaço, estrutura, topografia, clima e cultura para conviver com veículo tão frágil e ineficaz. Como lazer nos finais de semana, em parques, é uma possibilidade; como transporte diário, no trânsito, é uma calamidade.

    • Marcelo Soares comentou em 11/07/12 at 20:02 Responder

      Sim, São Paulo não tem estrutura. Por falta de política pública, que é responsabilidade do Estado.

      • anton martin comentou em 12/07/12 at 02:47 Responder

        Sua resposta é por demais simplista e não toca no cerne da questão. São Paulo não tem estrutura porque não foi concebida para ser uma grande metrópole; São Paulo não passa de uma vila que cresceu de forma desordenada ao longo dos séculos e culpar o Estado atual pela falta de estrutura urbana é algo por demais ingênuo e infantil; o fato é que bicicletas são meios de transporte INDIVIDUAIS que não resolvem o problema de transporte urbano de massa; muito pelo contrário, seu uso, no meio do caos urbano atual é perigoso e irresponsável e é isso que a matéria do Diário Oficial procura esclarecer com base em números da Secretaria de Estado da Saúde sobre acidentes com ciclistas; ou seja, num momento em que se percebe um aumento no número de acidentes com ciclistas devido ao incentivo irresponsável de setores da sociedade ao uso indiscriminado de uma forma de transporte totalmente dispensável e ineficaz para solução do caos do transporte urbano, creio que é DEVER do Estado buscar uma correção de rumo e alertar sobre o fato e elaborar uma política pública que venha sanar o problema crescente. Ou você acha que o Estado deve se omitir nessa questão para não desagradar grupos de cicloativistas e políticos que fazem dessa cruzada por implementação de ciclovias em nossa metrópole, a base de sua política partidária, ignorando os riscos à população em geral, de olho apenas no resultado das urnas?

        Em tempo: os legisladores, que são os responsáveis por elaborar as políticas públicas e os governantes que são os responsáveis por implementá-las, são eleitos pelo povo; se eles falham no cumprimento de suas tarefas, a responsabilidade não é do povo que os escolheu?

        Moral da história: A culpa não é do governo, nem dos políticos; é da grande massa de iletrados e de grupos organizados (tal qual os cicloativistas), que votam interessados em ver satisfeitos seus pequenos interesses mesquinhos (como a criação de ciclovias), em detrimento de um bem maior para toda a população (como a implantação de redes de monotrilho, como alternativa ao metrô que é mais caro para ser construído, e aos ônibus, que são menos eficientes e mais poluidores).

  12. Gabriel comentou em 11/07/12 at 18:40 Responder

    o que me estranha é ninguém comentar em relação à ciclovia na Paulista, aprovada em 2008 e nunca feita – desde lá morreram vários, entre os muitos Marcia Prado (2009) e Julie Dias (2012) – mais detalhes – http://ciclovianapaulista.wordpress.com/

    • Marcelo Soares comentou em 11/07/12 at 20:02 Responder

      Pois agora está comentado!

  13. Carlos Torres Freire comentou em 11/07/12 at 18:40 Responder

    Oi Marcelo, muito bom seu texto! Direto e muito claro sobre a estupidez da dita reportagem publicada no Diário Oficial. A gente faz pesquisa aos montes pra produzir dados decentes e muitas vezes o uso acaba sendo dessa forma infame. Abs!

    • Marcelo Soares comentou em 11/07/12 at 20:04 Responder

      É triste, Carlos. Vi teus trabalhos ali. Vou baixar alguns para ler. Seja sempre bem-vindo!

      • Carlos Torres Freire comentou em 14/07/12 at 12:58 Responder

        Obrigado, Marcelo. E parabéns pelo blog!
        Se estiver interessado em mais informações sobre políticas públicas e uso de bicicleta, esse artigo no link abaixo traz um bom panorama internacional. Artigo é meio pesado, mas vale como fonte.
        http://policy.rutgers.edu/faculty/pucher/pucher_dill_handy10.pdf
        Abs!

        • Marcelo Soares comentou em 14/07/12 at 17:36 Responder

          Opa. Lerei com atenção.

  14. Carlos Aranha comentou em 11/07/12 at 18:36 Responder

    Morar em grandes cidades é um ato perigoso. Durante a Rio+20, uma japonesa saiu do aeroporto do Galeão e demorou três horas de carro para chegar na Barra da Tijuca, pois não existe transporte coletivo de qualidade. Pensando bem, ela deu sorte ao chegar viva, depois de trafegar por vias expressas cercadas por áreas comparadas à Faixa de Gaza, em função dos tiroteios que ocorrem na região.

    • Marcelo Soares comentou em 11/07/12 at 20:06 Responder

      Esse é um problema muito sério.

  15. Fabricio Faria comentou em 11/07/12 at 18:09 Responder

    Descobri seu blog apenas hoje ao navegar pela FSP.

    Parabéns! o conteúdo é excelente. De uma só vez li quase todos os seus posts. Certamente integrará meus favoritos.

    Achei excelente a abrangência dos temas.

    Enfim, apenas para dizer que seu blog está muito bom e é um dos melhores dos muitos que estão por aí.

    Grande abraço,

    Fabrício

    • Marcelo Soares comentou em 11/07/12 at 18:10 Responder

      Grato! Seja sempre bem vindo.

  16. Paulo Cesar comentou em 11/07/12 at 17:48 Responder

    Parabéns pela coluna! Num país onde todo mundo “é apaixonado por carros”, como diz a propaganda de combustíveis, infelizmente não me surpreende que o poder público tente desviar a culpa pelos acidentes de trânsito para as bicicletas e até mesmo pedestres.
    Cabe (e cabe exigir) retratação de mesmo destaque na edição de amanhã do Diário Oficial!

    • Anton Martin comentou em 11/07/12 at 18:58 Responder

      Retratação num Diário Oficial?!? Por publicar fatos e números reais? Parabéns a quem teve coragem de publicar tais números e considerações.

      • Marcelo Soares comentou em 11/07/12 at 19:59 Responder

        Os números são reais. As avaliações é que são toscas, como mencionei aqui. Não há comparação relativa, por exemplo, com acidentes de outros modos, nem com a população dos usuários do próprio modo.

        • anton martin comentou em 12/07/12 at 03:38 Responder

          Estatística é na maioria das vezes apenas uma arte de manipular dados para cozinhar resultados. No final, o que interessa são os números absolutos. De acordo com o Diário Oficial, no ano passado, 3400 pessoas (ciclistas, eu suponho, pois o texto reproduzido acima não é claro) foram internadas no SUS paulista, gerando um custo de 3,25 milhões à administração pública e, por que não dizer, ao contribuinte. Não me interessa saber se andar de bicicleta é, estatisticamente falando, mais seguro do que andar a pé ou de avião. Aviões são, estatisticamente falando, o meio de transporte mas seguro que existe, mas se você der o azar de estar dentro de um deles durante um acidente, sua chance de escapar com vida é praticamente nula. Então, essas comparações são apenas pirotecnia numérica para demonstrar determinado ponto de vista. O fato é que andar de bicicleta em áreas urbanas servidas de transporte público é algo desnecessário e perigoso e não deveria ser incentivado de forma irresponsável como vem sendo por cicloativistas, políticos oportunistas e meios de imprensa em geral. Andar de bicicleta em meio urbano não é tão simples e seguro como se quer fazer parecer e não vai solucionar os problemas ambientais e de trânsito de nossa cidade.

          • Marcelo Soares comentou em 12/07/12 at 08:10

            Também achei pouco claro o texto do Diário Oficial. Ele não compara os números com nada. Esse é apenas um dos defeitos do texto criticado aqui.

            Mas perceba que seu argumento, genérico, serve também para os carros. Assim:

            “Andar de carro em áreas urbanas servidas de transporte público é algo desnecessário e perigoso (para pedestres e ciclistas) e não deveria ser incentivado de forma irresponsável como vem sendo pelo governo, políticos oportunistas e meios de imprensa em geral. Andar de carro em meio urbano não é tão simples e seguro como se quer fazer parecer e não vai solucionar os problemas ambientais e de trânsito da nossa cidade.”

            A bicicleta (ou o carro, ou andar a pé) não vai resolver os problemas da cidade, nem tem que resolver. A bicicleta tem que resolver o problema de deslocamento do ciclista, apenas isso. O problema da falta de civilidade dos motoristas com quem anda de outros jeitos (especialmente de bicicleta e a pé) é que é questão de política pública.

            Multa-se muito pouco os barbeiros em São Paulo, e as autoridades ainda usam uma porta-voz da secretaria da saúde no Diário Oficial para ouvir um ortopedista e decretar que a culpa das colisões com barbeiros é… da vítima.

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