Afinal de Contas

por Marcelo Soares

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Marcelo Soares escreve sobre dados e o que eles podem revelar

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É besteira comparar o tomate ao Marco Feliciano

Por Marcelo Soares
John Vizcaino/Reuters – 10.jun.2012

Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, a turma do Facebook descobriu que o tomate estava caro. Desde quarta, mais ou menos, o tomate rivaliza com o pastor Marco Feliciano no protagonismo de piadinhas. Se alguém resolver jogar um tomate no polêmico deputado, a internet certamente implode.

Por pouco cozinhar em casa e raramente frequentar a seção de hortaliças do supermercado, a notícia caiu como uma bomba na turma quando uma cantina resolveu boicotar a fruta e bater bumbo a respeito nas redes sociais. O xará Marcelo Katsuki, cujos posts deixam a gente com água na boca, traça bem a origem do meme. Difícil uma cantina ganhar mais propaganda gratuita do que isso.

Como todo meme, esse é de uma bobagem atroz. Como bem lembrou mestre Vinicius Torres Freire, “o fruto tornou-se o bode expiatório da alta geral dos preços da comida, com perdão pela dissonância biológica, e de certo cansaço com três anos de inflação rodando em torno de 6%”.

Já em setembro do ano passado, o caderno Comida lembrava que o tomate tinha o maior preço dos últimos dez anos em São Paulo. O preço do tomate chegou a cair entre setembro e novembro, mas depois voltou a subir forte, segundo os índices de inflação do IBGE (uso o IPC-A, que abrange a faixa de renda da maior parte dos usuários de redes sociais).

Na Região Metropolitana de São Paulo, o aumento chegou a 30% em fevereiro, no que foi atribuído especialmente ao clima. Em julho, porém, o preço chegou a aumentar 34%, chegando em agosto a um preço bastante semelhante ao atual. Não lembro de ver tantas donas de casa indignadas com o preço do tomate – embora fosse grave.

A evolução do preço ficou assim:

Não é, ao menos ainda, o caso de tratar tomate como caviar. Se o aumento é sazonal, é prenúncio de queda. E, de acordo com o IBGE, o tomate pesava 0,17% no orçamento do paulistano em janeiro do ano passado e hoje pesa 0,23%. É um aumento significativo, sim. Mas o combustível, que alimenta o grande fetiche paulistano pelo carro, ainda pesa 5,7% no orçamento, segundo o IBGE. Haja tomate caro pra rivalizar.

Não vejo muita gente tratando carro como caviar no Facebook, o que pra mim caracteriza a grita contra o tomate como modinha boba com coisa séria.

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